Como na postagem anterior, esta aqui também contém um arquivo com esquemas para a perfuração de matrizes de cartões de Papel Vegetal mas, ao contrário da anterior, esses cartões podem ser fechados, ou seja sem desenho, bastando para isso repetir o bloco de desenho até completar o interior do cartão. Consulte as postagens de "Planejamento da Matriz" para maiores detalhes.
A imagem que ilustra a postagem é um dos esquemas e está com a metade do tamanho da imagem original.
O arquivo possui 1,93 MB e contém 16 esquemas. Disponível em dois links, escolha o que preferir:
Voltando um pouco ao Papel Vegetal, coloco aqui um arquivo com 15 esquemas de perfuração de matrizes de cartões de papel vegetal. São cartões pequenos, mas a maioria pode ser facilmente aumentada seguindo as instruções das postagens de "Planejamento da Matriz". São todos cartões que necessitam figuras, pois o desenho não permite que se faça um cartão "fechado" sem maiores modificações.
Só lembrando que o exemplo anterior está na metade do tamanho das figuras do arquivo e o arquivo tem 1,65 MB.
Até aqui, o que fizemos foi desenhar e pintar em papel vegetal branco. Se este for tingido, há um passo a mais na seqüência de procedimentos, se quiser um desenho colorido.
Estando o papel vegetal tingido, a cor do tingimento afetará as cores da figura. Nesse caso, você poderá executar desenhos mais complexo, cheio de detalhes, mas sem pintura, somente com os contornos em nanquim preto. Se quiser uma figura colorida proceda como descrito a seguir.
A primeira coisa a se fazer é o contorno do desenho em nanquim. Antes de colorir o desenho, você deverá remover o tingimento do interior da figura com um lápis borracha e borracha macia. Cuidado para não arranhar o vegetal com o lápis borracha, apertando-o muito. Remova-o totalmente, sem deixar nem um leve traço de cor. Depois continue a pintura normalmente.
Uma outra situação que pode ocorrer, é usar papel vegetal branco sobre um sulfite ou cartolina colorida. Nesse caso, a cor do papel de baixo também irá influenciar as cores da figura. Para evitar isso, você terá de pintar a figura de branco por trás, depois da pintura, como descrito anteriormente.
Se você quiser dar um destaque maior ao desenho, principalmente se estiver usando um papel sulfite colorido por baixo, você poderá pintar partes dele ou todo ele por trás com tinta branca, acrílica ou plástica, depois de finalizada a pintura com lápis de cor. Olhos e partes brancas da figura se beneficiam muito com essa técnica. Evite pintar com nanquim branco, pois ele poderá rachar quando secar e descascar.
Faça da seguinte maneira: depois da pintura feita, com um pincel, pinte a área interna da figura com a tinta branca, cuidando para não ultrapassar o traço de nanquim preto. Use sempre um pincel de tamanho compatível, mais delicado para as bordas e detalhes do desenho e maior para o interior. Não use muita tinta no pincel, se precisar passe duas mãos dando um intervalo para a secagem. Cuidado, pois o papel vegetal poderá ficar enrugado se muita tinta for usada, principalmente se for dos tipos mais finos. Deixe secar bem, pois com isso a ondulação diminuirá.
Quer você tenha ou não pintado a figura por trás, poderá, como um detalhe a mais, passar sombra de maquiagem por trás da figura, com um cotonete ou pedaço de algodão. A impressão que dá é que quando pintamos o branco por trás da figura, a trazemos para frente, e quando aplicamos o fundo com a sombra, 'afundamos' mais o fundo. Tente aplicar isso em seus desenhos.
Para começar escolha um desenho simples, de preferência já colorido, com efeito de claro e escuro. O exemplo a seguir eu consegui em uma coletânea de cliparts. A figura representa um cãozinho e uma borboleta e foi ampliada:
Faça adaptações no desenho original, visando a rapidez e praticidade do trabalho. Como é muito mais fácil desenhar uma série de riscos pequenos ao invés de uma linha contínua para representar o pelo fofo do cãozinho, assim o fiz. Não é sempre que isso é possível, mas se for, não deixe de aplicar essa idéia. O desenho acima ficaria assim:
Capriche também nos olhos, pois estes sempre dão vida ao desenho. Veja que a figura tem poucas cores. No cãozinho apenas bege, marrom e preto. O preto do contorno e do olho, no papel vegetal seriam feitos em nanquim pela frente do trabalho. O resto da pintura, bege e marrom, pela parte de trás.
Mas falta alguma coisa para dar mais vida ao desenho. Veja a próxima figura e observe os detalhes feitos em branco. O brilho do olho e do focinho, depois de finalizado o colorido por trás, será feita pela parte da frente com nanquim branco e caneta bico de pena.
Eu começo sempre pelo tom mais escuro da mesma cor, com uma pressão mais forte no início que vai se suavizando, tentando não deixar riscos no vegetal. Na pintura, trabalhe sempre sobre superfícies duras, de preferência brancas. Apóie sobre um papel sulfite branco e mantenha outra folha para rabiscos de testes do tom dos lápis que estiver usando.
Na figura original não há muita diferenciação entre luz e sombra, mas geralmente a luz vem de cima e a sombra fica embaixo. Se quiser acrescentar mais esse efeito tridimensional ao desenho, escureça um pouco as partes que estariam na sombra.
Para dar um efeito aquarelado ao lápis de cor comum, pegue um palito de dente, enrole um pequeno chumaço de algodão em uma das pontas. Umedeça o algodão com benzina e passe na área pintada. Não misture as cores: use um algodão diferente para cada uma delas. É provável que algum outro solvente faça o mesmo efeito. Teste o que tiver em casa, pois benzina tem sua venda controlada e é mais difícil de encontrar.
Advertência: benzina é uma substância tóxica e altamente inflamável. Ela só deve ser manuseada por pessoas responsáveis e em locais bem ventilados longe de fontes de calor. Ela deve ser guardada em lugares seguros, fora do alcance de crianças, animais e fontes de calor.
Se souber mais de pintura do que eu, e achar que nos parágrafos anteriores só está escrito besteira, por favor ignore-os, e aceite minhas desculpas pelo tempo gasto em lê-los.
Para aqueles que nada sabem de pintura eu aconselho a prestar atenção a qualquer desenho que lhe cair em mãos e treinar bastante tentando reproduzi-los. Utilize papel carbono ou de seda para copiá-los e scanner e impressora se quiser modificar seu tamanho. Os primeiros talvez não fiquem como queria, mas sua técnica e prática melhorarão com o tempo. Tente encontrar desenhos não muito complicados, principalmente no início, quando ainda não tiver prática.
Depois de um "longo e tenebroso inverno" eis-me aqui novamente.
Parte 8 - Pintura
Se você que está lendo este curso nesse blog teve algum tipo de aula de pintura ou desenho, provavelmente saberá muito mais de pintura do que eu e pouco ou nada terei a acrescentar.
Se você não sabe nada de pintura ou desenho, só poderei dar algumas sugestões e você terá de ter paciência e treinar um pouco para aprimorar sua técnica.
Se já trabalhou com vegetal percebeu que ele não admite erros: uma vez amassado, a marca ficará para sempre. Em alguns aspectos, com a pintura acontece o mesmo. Por isso, se não sabe nada de pintura, use lápis de cor. Se aplicado delicadamente, poderá ser apagado em caso de erro.
Com o nanquim não acontece o mesmo: uma vez aplicado, não há garantias de que possa ser corrigido, nem pequenos riscos, raspando-o com um estilete. Você terá de treinar para conseguir firmeza nos traços.
A grande maioria das figuras feita em trabalhos de papel vegetal tem um contorno de nanquim preto pelo lado direito e é pintado com diferentes materiais pelo lado avesso. O nanquim é aplicado com uma caneta bico de pena própria para nanquim, com várias numerações indicando a espessura do traço. Nesse tipo de trabalho, contorno, nos interessa as de espessura de traço mais fino e que são as mais facilmente encontradas.
Para obter um traço mais fino, costumo afiar mais ainda a ponta da caneta bico de pena, em uma pedra para afiar facas. Se for fazer isso, tome cuidado para não danificar a pena. Também costumo trocar o cabo da mesma por um com diâmetro maior para dar mais firmeza. Se sua pena for comprada, também convém remover o verniz que recobre a parte metálica. Para isso basta esquentá-la levemente em uma chama de vela.
Antes de tentar fazer qualquer desenho em algum trabalho de papel vegetal, treine um pouco com a pena e nanquim em uma folha de papel qualquer. Perceberá que quanto mais apertar ou inclinar a pena, mais espesso ficará o traço. Então, terá de manter a pena perpendicular e só passá-la de leve sobre o papel para conseguir um traço fino.
Além disso, qualquer sujeira ou acúmulo de tinta seca em sua ponta também produzirá um traço mais espesso. Se perceber que isso está acontecendo, pare o trabalho e limpe a pena com um pano ou papel que não solte fiapos e álcool líquido. Seque a seguir.
Você não precisa saber desenhar para ilustrar seus trabalhos, pode apenas copiar desenhos de outras fontes, tais como revistas de pintura em geral, principalmente pintura em tecido, revistas de bordado, livros infantis, cliparts e diversas outras fontes. E só prestar atenção nas figuras que surgirem e pensar em que tipo de trabalho podem ser aplicadas.
O nanquim e a pena podem ser substituídos por canetas para arte final. Apesar de serem importadas, não são tão caras assim e relativamente fáceis de encontrar. Os trabalhos não ficam tão bonitos como os feitos com nanquim, pois este produz um traço de cor bem escura e sem variação de tom. As canetas de arte final não foram feitas para serem usadas em papel vegetal mas em papéis mais absorventes. Por isso seu traço fica mais claro com pontos mais escuros ao fim do traço, onde há acúmulo de tinta. Eu as uso apenas em desenhos muito pequenos ou em detalhes. Podem ser encontradas em diferentes espessuras de traço, a partir de O,O5mm. Tanto a caneta quanto o bico de pena com nanquim borram com facilidade. Tome cuidado quando estiver utilizando qualquer um deles.
O colorido é dado do lado avesso do papel vegetal, com lápis de cor, giz de cera, pastel, canetas hidrográficas e vários tipos de tinta. O material de eleição para principiantes é lápis de cor, pois pode ser mais facilmente apagado e corrigido. Antes de tentar qualquer pintura em papel vegetal, treine antes em folhas de rascunho de papel sulfite e pedaços de papel vegetal.
Os lápis de cor mais adequados são os de mina macia, facilmente encontrados em lojas do tipo' a partir de 1,99 '. São lápis baratos de baixíssima qualidade em virtude da maciez da mina. Se o lápis cair no chão ou não for apontado com cuidado, as pontas irão se quebrar constantemente. Por isso é bom ter uma dessas lapiseiras com apontador de minas em uma das extremidades, cujo nome era 'Compactor'. Não sei se ainda são fabricadas, a minha tem uns vinte anos. Se tiver ou conseguir ainda uma dessas, arrume uma caixinha para colocar as pontas quebradas para o posterior uso.
Não compre nenhuma caixa de lápis de cor se já tiver algum em casa. Acostume-se a usar o que tiver mais a mão, mesmo se estes forem duros.
Cada pessoa tem um estilo de pintura que sabe fazer melhor ou gosta mais. Tente descobrir o seu. Eu gosto de pintar formando sempre um degrade, partindo sempre do tom mais escuro para o mais claro de uma mesma cor.
Na próxima postagem mais dicas, porque esta aqui já está muito longa.
O picote consiste em cortar as áreas perfuradas com uma tesoura pequena, de ponta fina através de seus furos.
Para o picote, precisaremos de uma tesoura com suas pontas bem finas, para que introduzamos as mesmas em dois furos cortemos o papel vegetal entre eles 'beliscando-o'.
O efeito de picote só é conseguido se a tesoura estiver na perpendicular em relação ao papel vegetal.
Primeiramente deverá proteger os dedos da mão esquerda, se sua mão dominante for a direita, o indicador e o médio. Você vai apoiar a ponta da tesoura em um desses dedos e isso irá impedir que se machuque. Enrole um pedaço de esparadrapo ou fita crepe, dando duas ou três voltas ou coloque uns dois ou três pedaços um sobre os outros. Vá trocando quando for necessário.
Você terá de achar a posição mais confortável para fazer o picote. A seguir uma sugestão é dada para as pessoas destras. Se você for canhoto, apenas inverta as mãos.
Picote sempre sobre uma bandeja rasa, uma tampa de caixa de sapato ou um papel grande: vai ser muito mais fácil se livrar dos restos do vegetal picotado, ao invés de ficar limpando a mesa e varrendo o chão.
Apóie os cotovelos na mesa e segure o vegetal com a mão esquerda, sem amassá-lo. Pegue a tesoura com a direita da maneira usual. Se a tesoura for curva, a curvatura deverá ficar para cima. Para picotar, ainda segurando a tesoura dessa maneira, vire a palma da mão para cima. Se a tesoura tiver curva, esta agora estará para baixo. Introduza as pontas da tesoura em duas perfurações contíguas e picote.
O esquema anterior você já conhecem e mostra os picotes mais comuns.
O picote sempre é feito utilizando-se duas perfurações que estejam uma ao lado da outra, ou uma sobre a outra. A única exceção é quando temos perfurações em cantos e na borda externa. No esquema 18 na página anterior, mostrado em azul, os picotes de alguns conjuntos de perfurações. Note que o picote para formarmos um 'X' não é feito com dois cortes diagonais, mas quatro cortes acompanhando as perfurações.
Geralmente não é necessário fazermos todos os picotes. Você perceberá, por exemplo, que, no corte do 'X' do parágrafo anterior, no segundo ou terceiro picote, o miolo se solta não sendo necessário os picotes restantes. Se, por ventura algum resto de vegetal ainda permanecer preso ao corpo principal do trabalho, evite puxá-lo. E bem melhor removê-lo com novo picote para, não rasgar o papel vegetal.
Comece o picote sempre pelo desenho interno do trabalho, deixando o picote da borda para o fim. Se for possível, deixe o picote da borda externa apenas quando for fazer a ilustração, se houver, ou finalização do trabalho. Isso é feito para evitar que o simples manuseio do vegetal o danifique. Em cartões só com relevo, sem figura, faça todo o trabalho deixando o picote da borda para o fim: faça os envelopes, perfure e picote o sulfite para o miolo, picote os motivos do interior e só depois a borda. Se for colar o miolo, cole-o e coloque o cartão já pronto no envelope para evitar que se amasse.
De qualquer maneira, postergue o máximo possível o picote da borda externa.
Para fazer o relevo você deverá copiar o esquema previamente planejado. Pressione o boleador no avesso do papel sobre a superfície acolchoada como se estivesse escrevendo ou desenhando.
De inicio faça uma pressão leve, pois ainda não tem experiência ou prática. Não aperte muito, pois poderá rasgar o vegetal. Se precisar, passe o boleador várias vezes no mesmo local, até conseguir o efeito desejado e aprender que força aplicar.
Para um relevo ficar mais bonito, tente sempre aplicar a mesma pressão para não deixar falhas. Sempre que houver relevo ao lado de uma área de picote, faça-o o mais próximo possível das perfurações, para um melhor efeito. Se fechar alguma perfuração durante o processo, perfure-a novamente, pelo lado direito do trabalho.
Quando estiver boleando, principalmente círculos como aqueles do esquema 1, tente fazer um círculo e não uma 'rosquinha'. Comece pelo centro e vá abrindo em movimentos circulares, até chegar às perfurações. Sempre vire o trabalho para olhar o lado direito e ver como ele está ficando. Repasse o boleador pelo mesmo local até que o relevo fique com uma cor leitosa, seja branca ou da cor do tingimento.
Geralmente o relevo constitui-se de um motivo que se repete por todo o trabalho. Além disso, dentro de um mesmo motivo, partes do motivo podem se repetir. Um dos segredos dessa técnica é fazer todas as partes que se repetem iguais. Você consegue isso com treino e com um pequeno truque. Observe o esquema a seguir.
Nesse esquema, o motivo que se repete é uma flor, constituída de quatro pétalas iguais. Para que cada pétala fique o mais parecido possível com as outras, descubra a posição em que tem maior facilidade de executar o desenho. Por exemplo, eu começo no centro da flor, na ponta da gota que representa a pétala, e faço sempre o desenho para cima. Quando eu terminei todas as gotas dessa direção, giro o cartão e continuo a fazer as pétalas dessa mesma maneira.
No esquema, eu faria primeiro as pétalas de cor laranja, giraria o trabalho e faria as de cor vermelha, giraria e faria as de cor azul, giraria e faria as de cor verde. Siga a ordem que quiser mas procure sempre executar o mesmo desenho na mesma direção, da mesma maneira.
Isso também se aplica às linhas externas do bloco de relevo ao relevo próximo à borda externa e riscos no interior de pétalas e outros. Descubra em que posição você tem mais facilidade e vá girando o trabalho para fazê-lo sempre na mesma direção.
No caso de riscos no interior e ao redor de pétalas e outros motivos, faça sempre os riscos em uma mesma direção, para o trabalho ficar mais simétrico.
Se você não tiver certeza de qual boleador é mais adequado para cada relevo por não saber a espessura do traço, faça um teste num pedaço de papel vegetal. De maneira geral, círculos como os do esquema 1 são feitos com o boleado esférico n° 103 da Stylustec ou similar. É o terceiro em tamanho. Para fazer a maioria dos desenhos internos, linhas externas e perto da borda externa, o nº 102 é usado. Para desenhos mais delicados e riscos no interior de pétalas, o nº 101 é o mais indicado. Entretanto, você pode usar o que achar mais adequado, segundo o seu trabalho. Na dúvida, teste seus boleadores num pedaço qualquer de papel vegetal.
Para um relevo de bordas mais evidenciadas, faça o contorno com o boleador mais fino e depois o preencha com um boleador mais grosso, até que ele fique totalmente claro.
Pelo avesso, o papel vegetal perfurado pode ser áspero como uma lixa.
Se tiver uma pele sensível, principalmente perto das unhas dos dedos anelar e médio da mão dominante, é melhor protege-la com um pedaço de fita crepe ou esparadrapo ou colocar um papel macio sobre as perfurações para apoiar a mão, para evitar que a sessão de relevo se torne uma sessão de tortura.
Depois de perfurar todo o papel vegetal, conforme o modelo da matriz, vamos passar para a etapa de relevo.
Nós fazemos o relevo, ou boleamos, o papel vegetal sempre do lado avesso, ou seja, do lado mais áspero, usando os boleadores. Estes instrumentos possuem geralmente uma esfera metálica em sua ponta, de diferentes tamanhos segundo sua numeração. Também existem boleadores de outros formatos, como estrelas e corações, e outros formados por um arco de metal, chamados boleadores esfumaçadores.
Além desses boleadores, algumas pessoas também usam brocas de dentista para a execução do relevo, principalmente as laminadas do tipo tronco cônicas invertidas de maior diâmetro. Elas produzem um desenho parecido com uma flor de pétalas retas. São afiadas e podem cortar o vegetal se manuseadas sem o devido cuidado.
Somente os boleadores esféricos são imprescindíveis para esta técnica de trabalho. Não tenho nenhum de estrela ou coração, só esféricos e esfumaçadores, e faço todos meus relevos com eles.
Como base para a execução do relevo é usada uma superfície levemente acolchoada. Eu uso um mouse pad, dos mais baratos, com tecido de um dos lados. Um pedaço de E.V.A., emborrachado ou de feltro também podem ser usado, mas este com o tempo deverá ser substituído. Use o que tiver, mas, se for comprar, opte por um mouse pad de cor escura.
O papel vegetal, principalmente os mais finos, é um material transparente. Em cartões com dizeres no interior ou mesmo de face única, você poderá querer colocar uma folha de sulfite, cartolina ou outra em seu interior ou atrás.
Para acrescentar esse sulfite, no caso, você poderá apenas dobrá-lo e colocar essa dobra na dobra do cartão. Subtraia 0,5 cm ou quanto desejar do tamanho do cartão de cada lado, exceto o lado da dobra e cortar o sulfite em linha reta com uma tesoura comum, de corte em zig-zag ou ondulado ou cortadores específicos. Esse tipo de procedimento valoriza o relevo da borda externa do trabalho, o qual ficará mais evidente.
Uma outra maneira de se fazer isso é também perfurar e picotar o papel que vai no miolo do cartão. Para fazer isso, meça o cartão de papel vegetal aberto e corte o papel que irá usar em um tamanho um pouco maior. Junte dois para furar ao mesmo tempo como no caso do vegetal, se for papel sulfite. Para papéis mais grossos, fure apenas um de cada vez.
Em ambos os casos acima, dobre esse(s) papel (papéis) ao meio, pois furaremos e picotaremos frente e verso de uma só vez e ele sairá pronto.
Em trabalhos bem acabados, o papel interior, se houver, não deverá ficar maior do que o vegetal, a não ser que tenha sido planejado assim.
Para evitar isso, quando prender a matriz sobre o papel e o isopor com os alfinetes, a última carreira de furos da borda, aquela sobre a qual dobrou o vegetal para fazer a dobra do cartão, ficará de fora, ao lado da dobra do papel. Para entender melhor, observe o esquema a seguir:
Na linha onde está escrito 'Dobra' é onde estará a dobra do papel que irá perfurar. Observe que os dez furos ('X') da primeira linha de cima ficaram de fora do papel e não serão feitos. Perfure apenas a borda externa.
Remova a matriz e se quiser picote esse papel como se fosse papel vegetal ou, com uma tesoura maior, corte sobre as perfurações.
Se quiser perfurar algum papel para colocar atrás de um cartão simples, bastará pegar a matriz do mesmo e perfurar toda sua borda externa.
Se você estiver perfurando um cartão com frente, interior e verso em papel vegetal, terá de tomar alguns cuidados. Posicione a matriz próximo à borda do papel vegetal, e à dobra, se houver.
A borda da matriz e do vegetal devem estar paralelas, pois você terá de dobrar o vegetal para fazer a parte de trás do cartão. Se a matriz estiver muito torta, quando dobrar, a parte de trás do cartão pode não caber no vegetal restante.
Isso funciona bem para cartões quadrados e retangulares. Para cartões de borda irregular, com formato de flores, borboletas, corações, faça com que a dobra do cartão fique sempre na perpendicular e no centro do pedaço de vegetal que cortou.
Na borda lateral da matriz onde ficará a dobra do cartão, é melhor não perfurar todos os furos, para evitar que as duas partes do cartão se separem. Você deverá perfurar apenas os furos vizinhos do vazado.
Observe o esquema a seguir, que representa um segmento de borda. Na linha escrito 'Dobra' é onde ficará a dobra do cartão. O que estiver marcado com 'X' deverá ser perfurado. O que está marcado com 'O' não deverá ser perfurado pois está na dobra do cartão.
A face mais áspera do vegetal perfurado é o avesso do cartão, a face mais lisa é a frente. Tenha sempre isso em mente.
Coloque o cartão com o avesso para cima. Perceberá que o vegetal em alguns casos parecerá uma lixa. Faça o relevo como explicado na próxima parte com mais detalhes.
Agora, com o relevo feito, vire o cartão do avesso. Coloque uma régua onde deverá dobrar o cartão. Segure-a firme, mas sem apertar muito para não danificar o relevo. Dobre o papel vegetal cuidadosamente para formar a parte de trás do cartão. Como ainda não tem muita prática, dobre uma folha de vegetal de cada vez. Faça um vínculo não muito forte com a unha, para que ele não fique abrindo. Se o relevo foi danificado, delicadamente o conserte.
Fure a parte de trás do cartão com os mesmos procedimentos. Não é necessário o uso da matriz. Prenda a face da frente do cartão no vegetal da parte de trás com tantos alfinetes forem necessários para firmar bem o vegetal no isopor, sempre usando as perfurações da borda pois é só esta que iremos perfurar. Fure toda a volta. Removendo os alfinetes e soltando o cartão, agora totalmente perfurado, podemos passar agora para a fase de picote.
Muito confuso? Qualquer dúvida, deixe um comentário.
Cortado o papel, passemos para a perfuração propriamente dita. Se estiver apenas aplicando uma área de picote e relevo em um trabalho qualquer, coloque o papel vegetal sobre um pedaço de isopor, a matriz sobre ele, na área desejada, com a parte áspera (avesso) para baixo. Prenda tudo com alguns alfinetes até ficar bem firme. Espete os alfinetes em perfurações da própria matriz, tomando cuidado de colocá-los perpendicularmente e até o fim. Se estiver utilizando um isopor muito fino, você deverá colocar quantas lâminas forem necessárias para que o papel vegetal e matriz fiquem bem firmes. Coloque sempre um papelão ou revista velha se estiver trabalhando sobre uma superfície de madeira ou outra, para que esta não seja arranhada pelos alfinetes.
Tudo estando bem firme, comece a perfurar com o furador. Você deve furar sempre na perpendicular, utilizando mais do que a ponta do alfinete. Você deve introduzi-lo pelo menos 1 cm ou até seu diâmetro máximo. Se sua matriz for de PET, perceberá que, mesmo se tiver perfurando com o mesmo furador que usou para fazer a matriz, parece que os furos estão menores. Isso é normal, pois o material sempre tende a fechar um pouco o diâmetro das perfurações.
As perfurações devem ser perpendiculares para preservar a matriz por mais tempo e facilitar o picote, deixando-o mais evidente. Para facilitar a perfuração, novamente vá espetando um pedaço de vela, para passar parafina no furador.
Terminado o serviço, antes de remover a matriz, verifique se não esqueceu de fazer nenhum furo. Feito isso, remova com cuidado os alfinetes que prendem a matriz e depois a matriz. Você perceberá que as duas folhas de papel vegetal estarão unidas. Elas devem ficar assim até o término do picote. Se trabalhar com folhas tingidas, poderá prendê-las com um pedaço de fita adesiva numa área não utilizada do seu trabalho.
Se você estiver perfurando cartões de frente simples de vegetal, o procedimento será o mesmo. Prenda a matriz e as duas folhas de papel vegetal ao isopor com alfinetes e perfure completamente a matriz, borda e interior. O trabalho estará pronto para ser boleado.
Estando seu papel tingido, você deverá escolher de que cor quer o relevo. Se a face tingida ficar do avesso, o relevo será branco.
Se você não marcou de que lado tingiu o papel vegetal, terá que fazer um teste de relevo. Com um boleador, pressione o papel vegetal de leve sobre o mouse pad ou feltro, numa área que não vai ser ocupada pelo trabalho. O lado que você pressionou é o avesso. Vire o papel para o lado direito e veja de que cor ficou o relevo (área saliente). Se este ficou da cor desejada, fure a partir desse lado: este será a partir de agora o lado direito do trabalho. Se não ficou da cor desejada, vire a folha e perfure a partir desse lado, que agora passará a ser o direito. Faça isso em ambas as folhas que for usar se estas não estiverem unidas.
Lembre-se: você perfura do direito para o avesso e boleia do avesso para o direito.
Se você não tingiu o papel vegetal, começará a manuseá-lo agora. Esse tipo de papel, apesar de encorpado em virtude de sua espessura, é muito sensível. Como um papel laminado, qualquer amassado ou vínculo marcará permanentemente o papel. Além disso, umidade o deixa enrugado, um clima quente e seco o faz dobrar ou ficar ressecado e quebradiço. Faça essa experiência: pegue uma pequena tira que tenha sobrado, de aproximadamente 1 cm por 3 ou 4 cm. Coloque-a sobre a palma de sua mão quente em um dia frio. Você verá as duas pontas da tira se curvarem para cima, tamanha a sensibilidade do papel. Portanto, tome muito cuidado ao segurá-lo para não amassá-lo ou marcá-lo, pois estas marcas não desaparecerão
Quando o cortar, corte vegetal suficiente para poder dobrar o pedaço no meio e obter folha dupla. Você irá perfurar, bolear e picotar dois exemplares de um mesmo modelo ao mesmo tempo.
Corte do Papel Vegetal para Cartões Duplos e Simples
Se estiver fazendo um cartão, e ele tiver frente, interior e verso em vegetal, lembre-se de medir a matriz, acrescentar de 0,5 a 1 cm de cada lado e duplicar o valor. A matriz representa somente a parte da frente de um cartão com essas características. Se somente furar a matriz em um pedaço de vegetal pouco maior do que ela, obterá um cartão simples, ou seja, apenas a parte da frente será em papel vegetal. Há cartões com esta característica, mas você terá que decidir antes o tipo de cartão que irá executar.
Lembre-se que geralmente perfuramos e fazemos o relevo em duplas, portanto o valor ou tamanho obtido anteriormente pode e deve ser novamente duplicado, ou uma folha de vegetal de igual tamanho deve se juntar a ela. Não é necessário colar ou prender uma folha na outra: quando começamos a perfurar, as duas se unem.
Uma maneira simples de se fazer isso, principalmente para a confecção de vários cartões com uma mesma matriz, um pedido de uns dez cartões, por exemplo é fazendo a primeira medição para calcular o tamanho total da área de vegetal necessária e dobrando o papel vegetal para obter a dupla de cartões. Por exemplo, a área total do papel vegetal necessário é 20x10 cm. Se usar papel vegetal em rolo, meça a altura de 10 cm e cuidadosamente dobre o vegetal sobre si mesmo e corte de modo que consiga uma faixa de 20 cm dobrada ao meio, ou seja 2 x 10 cm. Com a faixa dobrada, meça e corte o comprimento do cartão que é de 20 cm.
Outra sugestão é tingir as duas faces do papel vegetal com cores diferentes mas que combinem. Se não tiver certeza do resultado, faça testes em pedaços de papel vegetal antes de aplicar sua idéia em um pedaço grande de vegetal. Guarde sempre as sobras de papel vegetal, mesmo que amassadas, para essa finalidade.
Pode tentar também usar esponjas, espumas ou outros materiais além do algodão para dar uma textura diferente ao tingimento. Nesse caso, umedeça o material que estiver usando com solvente, passe-o no giz de cera e aplique no papel vegetal com suaves batidas, sem esfregar.
Há inúmeras variações de técnica para tingimento, usando esses e outros materiais, como anilina de flor e álcool. Faça testes para descobrir qual técnica combina mais com o trabalho que irá executar.
Se quiser, prenda uma folha na outra usando um pedaço de fita adesiva, sempre numa área que não vai ser ocupada pelo trabalho. Faça isso para evitar que elas se separem depois de perfurado o vegetal.
Você primeiramente deve forrar com papel absorvente a superfície na qual irá trabalhar. Pode ser algumas folhas de jornal se este não soltar tinta, com ou sem o solvente. Se soltar, coloque um folha de papel 'kraft', papelão, papel tipo jornal, ou algum outro.
Não use plástico, pois este provavelmente vai ficar úmido e tingir, mesmo sem querer, a face do vegetal que está por baixo: o papel vegetal geralmente só é tingido em uma das faces.
Em trabalhos com vegetal tingido, é interessante que as duas folhas de vegetal não estejam soltas, mas apenas dobradas. Sempre que você cortar o papel vegetal, lembre-se de que ele é perfurado, boleado e picotado em duplicata. Se o papel não for tingido, o simples processo de perfuração será suficiente para unir as duas folhas, as quais serão separadas ao fim do picote. Com o papel tingido, isso geralmente não acontece. As folhas ficam soltas e se forem duas folhas separadas, ficará mais difícil mantê-las juntas para serem boleadas e picotadas.
Se optar por mantê-las juntas pela dobra, tome cuidado na hora do tingimento. Quando juntas, as duas faces de cima devem ser tingidas. Não adianta tingir uma folha grande em uma das faces e depois dobrar. Se assim o fizer, você terá a face da frente da primeira tingida e a face de trás da segunda. Isso não está correto.
Se você quiser, pode colocar um pequeno pedaço de fita crepe na face tingida ou fazer uma marcação de algum tipo, a lápis, fora da área que será ocupada pelo trabalho, para saber qual face foi tingida. Como opção, poderá fazer um teste de relevo antes de começar a perfurar o papel vegetal.
Por que todo este cuidado? Observe as figuras acima e abaixo. Dependendo de qual lado você boleie o papel vegetal tingido dessa maneira, o relevo ficará branco ou da cor na qual foi tingido, só que mais claro. Se fizer o tingimento e marcações corretas, poderá escolher, entre essas duas opções, a cor do relevo.
Não é necessário prender o vegetal para ser tingido. Escolha a cor ou cores que vai usar. Se escolher mais de uma, deixe uma pequena faixa sem pigmento e use um chumaço de algodão para cada cor, para que estas não se misturem. Delicadamente, rabisque o papel vegetal com o giz de cera escolhido. A superfície inferior, a base sobre a qual trabalha deve ser firme para não danificar o papel vegetal. Quanto mais pigmento colocar no papel, mais escuro ficará o tingimento.
Você deve cuidar para não arranhar o papel vegetal com alguma impureza que porventura houver no giz de cera. Não adianta apertar muito o giz. Rabisque bem, sem apertar, para pigmentar bem o papel vegetal.
Feito isso na área desejada, com um algodão úmido em solvente, vá diluindo o pigmento sobre o papel. O algodão deve estar úmido, não pingando solvente. Se usar mais de uma cor, não as misture.
Provavelmente removerá boa parte do pigmento ( e da cor) do papel vegetal. Não tem importância. Repita o processo até conseguir a cor desejada. Para evitar isso, guarde os chumaços usados para usar no próximo tingimento, pois o algodão já vai estar pigmentado, tingindo o vegetal já na primeira passagem. Deixe que sequem bem antes de guardá-los, de preferência separando por cores.
Se por ventura o cor do tingimento ficar mais escura do que queria, pegue um chumaço de algodão limpo, umedeça-o no solvente e passe no vegetal para remover o excesso de pigmento.
Também pode aplicar uma outra cor sobre uma superfície já tingida, seca ou não utilizando um chumaço de algodão levemente úmido de solvente com pigmento de outra cor. Nesse caso, nunca esfregue o algodão no papel vegetal: dê pequenas batidas em sua superfície.
O Papel Vegetal é um material originalmente branco mas que pode ser facilmente tingido. Em trabalhos só com relevo e picote, principalmente cartões sem figura, o relevo ficará bem mais evidente, valorizando seu trabalho. Houve uma época que havia papel vegetal colorido à venda, não sei se ainda há, mas sai muito mais barato tingi-lo em casa, com a vantagem adicional de deixá-lo da cor, ou cores, que quiser.
Antes de tingir o papel vegetal, você terá de cortá-lo. Corte-o sobre uma superfície dura, para não danificá-lo. O que uso está em rolo. Para cortá-lo eu limpo bem o chão e desenrolo sobre o piso de cerâmica. Eventualmente também o corto sobre o carpete ou forro, sempre com um estilete. Você pode fazer isso também ou adaptar essa idéia para o que tiver a mão. Não faça isso sobre um piso de madeira para não danificá-lo.
A técnica mais fácil de tingimento é aquela na qual se usa giz de cera e solvente, aplicado com um chumaço de algodão.
Inicialmente precisará testar o giz de cera e o solvente que tiver. Não sei se mencionei, mas costumo usar giz de cera da 'Faber-Castel' e solvente mineral da marca 'Varsol'. Tanto um como outro eu já tinha em casa, não os comprei especificamente para o trabalho em papel vegetal. Use o que tiver, fazendo testes para descobrir qual funciona ou não. Pegue um chumaço de algodão, molhe no solvente e passe no giz de cera. Se soltar pigmento, o solvente é adequado.
Advertência: nunca é demais lembrar que estes solventes são substâncias tóxicas e altamente inflamáveis. Elas devem ser manuseadas por pessoas responsáveis, em lugares bem ventilados e longe de fontes de calor e fogo, e guardadas em lugares seguros, longe de crianças e animais.
Se estiver planejando outros trabalhos que não sejam cartões, convites ou similares, provavelmente terá apenas que planejar o bloco de relevo e picote para que este seja aplicado ao trabalho.
Para uma caixinha, embalagem para presente ou CD, por exemplo, você terá de fazer o molde da caixinha em cartolina ou papel cartão, cortar o papel vegetal segundo esse molde e aplicar o bloco de relevo e picote que criou para o projeto.
Você também pode utilizar uma caixa de acetato e colar seu trabalho de papel vegetal na tampa, para fazer uma delicada caixa de presente.
Algumas lembranças de maternidade com formatos irregulares, como pequenos babadores, também podem ter seu contorno perfurado no PET ou acetato, a partir de um molde de papel comum. Faça esse molde e o planejamento para a perfuração na tela. Fure primeiro o contorno da lembrancinha e depois leve-a à tela para a perfuração da área rendada.
Quando tiver certeza de que o planejamento que fez está do jeito que você quer, passe para o próximo passo, o qual é a confecção da matriz.
Chamo de matriz fechada uma matriz onde não há espaço para a figura, mas este pode ser criado durante a perfuração do papel vegetal deixando-se de furar blocos de relevo e picote.
Com esse tipo de matriz você pode confeccionar vários modelos de cartões com apenas essa única matriz. Observe o desenho abaixo, ele já é um velho conhecido.
Com uma matriz fechada você pode confeccionar vários modelos de cartões. Você pode utilizar apenas a borda externa, sem nenhum relevo central ou perfurá-la completamente, obtendo assim um cartão só com relevo e picotes, sem desenho ou pintura. (vou fazer a contagem: 2 cartões)
Há outras possibilidades: perfurar apenas o que está em amarelo e conseguir uma moldura estreita, perfurar as duas molduras de flores menores, sem os quadrados, obtendo assim duas molduras de flores. Ou perfurar a moldura em amarelo e apenas as três flores dos quatro cantos (some +3 => já são 5 cartões diferentes)
Fure o que está em amarelo e laranja, como no desenho do dia 11 de maio, ou acrescentar o que está em vermelho, deixando um espaço quadrado para o desenho. (some +2 => 7 cartões)
Perfure apenas as duas linhas horizontais laranjas ou as duas colunas verticais. (some +2 => 9 cartões)
A figura acima é outro exemplo. Se não perfurar os dois blocos centrais em baixo como está em cima, terá outro modelo, assim como o inverso é verdadeiro: perfurar os dois blocos centrais superiores igual à perfuração da base. (some +3 => 12 cartões).
Só com alguns exemplos já temos 12 cartões diferentes, baseados apenas nas perfurações possíveis, sem levar em conta variações de relevo ou picote. É claro que provavelmente não irá gostar de todos os modelos, é natural que aconteça, escolha os que mais gostar ou os que forem mais adequados ao propósito do cartão ou ao desenho que queira aplicar
Resumindo, uma matriz fechada é muito mais versátil em virtude dos inúmeros modelos que poderá confeccionar com ela. Portanto, sempre que possível, planeje e confeccione matrizes fechadas, é só completar os blocos de desenho no interior da matriz. Pode até ser mais trabalhoso, mas valerá a pena.
Tente vários desenhos num papel de rascunho e, quando tiver uma boa idéia do que pretende fazer, passe a reproduzi-lo no papel quadriculado. Mesmo que seu esquema for simples, faça o primeiro desenho a lápis, pois, qualquer distração poderá fazer com que erre. Se puder apagar e corrigir, será bem melhor.
Comece escolhendo um símbolo para representar as perfurações. Nos esquemas dessa apostila utilizei o 'X'. Escolha um símbolo fácil de fazer e que fique bem visível. Não pinte totalmente o quadradinho, pois vai se confundir na hora de perfurar a matriz. Além disso, escolha uma cor de caneta para marcá-los. Procure sempre usar este símbolo e cor de caneta em todas os esquemas de matrizes que fizer. Escolha também uma cor bem diferente para desenhar o futuro relevo do trabalho no esquema da matriz. Por exemplo, use vermelho para as marcações de relevo e azul para as perfurações. Utilize preferencialmente canetas que não borrem quando molhadas. As canetas esferográficas são as melhores.
No papel quadriculado, os riscos representam a tela metálica e os quadrados as células da tela. Vá contando os quadrados e marcando os lugares das perfurações, a lápis. Lembre-se de deixar espaço para o desenho da margem e borda se esta não tiver incluído em seu rascunho. Depois disso, marque o meio do trabalho, vertical e horizontalmente. Esse meio pode cair sobre a tela metálica, representada pelas linhas do quadriculado, ou sobre um dos furos. Isso não faz diferença, mas deve ser marcado com precisão para o cartão não ficar torto. Verifique se não cometeu nenhum erro, corrija o desenho se necessário. Passe tudo a caneta.
Com uma caneta de outra cor, faça o desenho do relevo planejado para esse trabalho e as marcações dos centros do trabalho. Se não alcançou o centro, escreva quantos blocos de relevo e picote são necessários para completar o esquema. Não confie na memória. Faça todas as anotações que sejam pertinentes ao trabalho. No início você só terá poucos modelos, mas se continuar a trabalhar com papel vegetal, com o passar do tempo esse número aumentará. Organize-se desde o início para não se perder mais tarde.
Dê um número, código ou nome que identifique esse esquema, escrevendo-o no próprio esquema.
Faça seus próprios modelos mesmo que os primeiros sejam bem simples e suas variações. Há várias sugestões ao longo da apostila.